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Londres-2012

Inesquecível para o judô feminino e para a ginástica artística

As Olimpíadas de Londres, que precederam os Jogos do Rio-2016, foram particularmente especiais para o judô e a ginástica brasileiras. Nos tatames, os judocas do país, mantendo a tradição de conquistas olímpicas, voltaram para casa com quatro medalhas na bagagem. Rafael Silva, Mayra Aguiar e Felipe Kitadai faturaram o bronze. Entretanto, coube a uma atleta do Piauí o posto de grande estrela da modalidade.

Sarah Menezes, da categoria peso ligeiro (até 48kg), disputou, em Londres, sua segunda Olimpíada. Quatro anos antes, em Pequim, ela havia competido com apenas 18 anos e, inexperiente, foi derrotada logo na primeira luta. A evolução no ciclo que se seguiu for extraordinária. Sarah chegou à Inglaterra no auge das formas física, técnica e psicológica. E o resultado foi a medalha de ouro, com direito a vitória, na decisão, sobre a romena Alina Dumitru, que havia sido a campeã em Pequim-2008. Sarah, que conquistou o primeiro ouro do Brasil em Londres, tornou-se a primeira judoca do país a triunfar em uma Olimpíada e, por tabela, quebrou o jejum de 20 anos do judô nacional sem uma medalha dourada nos Jogos, já que o último a ter vencido na competição tinha sido Rogério Sampaio, em Barcelona-1992.

Marcio Rodrigues/Fotocom
Marcio Rodrigues/Fotocom# Sarah Menezes: ouro e façanha inédita no judo feminino brasileiro
Sarah Menezes: ouro e façanha inédita no judo feminino brasileiro

Além de Sarah, o esporte brasileirou viu surgir, em Londres, um herói na ginástica artística. O paulista Arthur Zanetti, que em 2011 já tinha dado mostras de seu potencial ao se tornar o s egundo melhor atleta do planeta na prova das argolas, com a conquista da prata no Campeonato Mundial, sagrou-se campeão da prova em Londres. Com isso, tornou-se o primeiro atleta do país a subir ao pódio olímpico na ginástica artística e escreveu seu nome como o primeiro latino-americano de todos os tempos a conquistar um ouro na modalidade em Olimpíadas.

Gaspar Nobrega/Inovafoto/Photografia
Gaspar Nobrega/Inovafoto/Photografia # Arthur Zanetti: Ouro nas argolas e primeira medalha da história da ginástica do Brasil nos Jogos
Arthur Zanetti: Ouro nas argolas e primeira medalha da história da ginástica do Brasil nos Jogos

O vôlei repete a dose

Sarah Menezes não foi a única mulher de ouro em Londres. No vôlei, a Seleção Brasileira do técnico José Roberto Guimarães chegou à Inglaterra disposta a repetir o resultado obtido em Pequim-2008, quando o time, finalmente, chegou ao tão sonhado ouro olímpico.

Ao contrário da campanha na China, em Londres a trilha até a decisão foi extremamente tensa e sofrida. Ainda na primeira fase, o Brasil esteve muito perto da eliminação. Após as derrotas para os Estados Unidos e Coreia do Sul, o time teve que contar com a vitória dos Estados Unidos s obre a Turquia na última rodada. O Brasil venceu a Sérvia e só assim conseguiu avançar às quartas de final, onde se deparou com a poderosa Rússia para aquela que foi a partida mais dramática da equipe em Londres.

Na luta por uma vaga na semifinal, o Brasil avançou ao vencer por 3 a 2, com direito a seis match points salvos. A partir dali, o time engrenou. Na semifinal, as comandadas de José Roberto Guimarães não tiveram problemas para passar pelo Japão, por 3 a 0.

A decisão reeditou a final de Pequim-2008. Só que, desta vez, a história tinha tudo para ser diferente, já que os Estados Unidos eram os favoritos. Após uma “lavada” das norte-americanas no primeiro set (25/11), houve quem acreditasse que o Brasil não teria forças para reagir. Mas as meninas acertaram a mão, venceram os três sets seguintes com facilidade (25/17, 25/20 e 25/17) e chegaram ao bicampeonato olímpico.

Ali, seis jogadoras, em especial, chegaram Í consagração: Fabi, Fabiana, Jaqueline, Paula Pequeno, Sheilla e Thaísa se tornaram as primeiras bicampeãs olímpicas da história do Brasil. Já o técnico José Roberto Guimarães também escreveu seu nome na história como o primeiro técnico tricampeão olímpico do vôlei (masculino ou feminino).


O ouro não veio no futebol

Um ano antes da Copa das Confederações e dois anos antes da Copa do Mundo no Brasil, a Seleção verde e amarela teve mais uma grande oportunidade de conquistar o único título que o pentacampeão mundial ainda não tem. Encabeçada por Neymar, a equipe do técnico Mano Menezes avançou à final após cinco vitórias e entrou em campo para a última partida como favorita. Mas um gol relâmpago do México, aos 29 segundos do primeiro tempo, desestabilizou Neymar & Cia.

Na segunda etapa, os mexicanos ampliaram aos 29 minutos e, ali, o sonho do ouro olímpico caiu por terra mais uma vez (o Brasil ainda fez um gol de ho nra, aos 46 minutos, mas não havia mais tempo para o empate e o confronto terminou em 2 a 1). Assim, a exemplo do que ocorreu nas edições de Los Angeles-1984 e Seul-1988, o Brasil frustrou a torcida e, mais uma vez, terminou com a prata. Somam-se a esses resultados duas medalhas de bronze em Olimpíadas, em Atlanta-1996 e Pequim-2008.

Mais pratas
Na natação, Thiago Pereira foi o segundo melhor na prova dos 400m medley. No boxe, Esquiva Falcão passou perto da medalha dourada, mas ficou com a prata após perder para o japonês Ryota Murata por 14 x 13. Foi um resultado histórico, já que se tratou da primeira medalha olímpica brasileira no boxe. No vôlei de praia, Ricardo e Emanuel partiram para a disputa do ouro contra os alemães Brink e Reckermann e travaram um duelo equilibrado que, para tristeza da torcida brasileira, terminou com vitória apertada dos rivais por 2 a 1 (23/21, 16/21 e 16/14).

Nove bronzes
O Brasil subiu outra s nove vezes ao pódio em Londres para receber medalhas de bronze. Elas vieram no judô, com Rafael Silva, Mayra Aguiar e Felipe Kitadai; no boxe, com Adriana Araújo e Yamaguchi Falcão (irmão de Esquiva); na vela, com Robert Scheidt e Bruno Prada, na classe Star; no vôlei de praia, com Juliana e Larissa; na natação, com Cesar Cielo, nos 50m livre; e no pentatlo moderno, com Yane Marques fazendo história e conquistando a primeira medalha olímpica do país na modalidade.

Classificação por total de medalhas

* As medalhas de ouro foram conquistadas com a Seleção Brasileira de vôlei feminino; na ginástica artística, com Arthur Zanetti, nas argolas; e no judô, com Sarah Menezes. As de prata vieram com a Seleção Brasileira de futebol masculino; com a Seleção Brasileira de vôlei masculino; no boxe, com Esquiva Falcão Florentino; na natação, com Thiago Pereira, nos 400m medley; e no vôlei de praia, com Alisson e Emanuel Rego. As medalhas de bronze foram conquistadas no boxe, com Adriana Araújo e Yamaguchi Falcão; no judô, com Rafael Silva, Mayra Aguiar e Felipe Kitadai; na natação, com Cesar Cielo, nos 50m livre; no pentatlo moderno, com Yane Marques; na vela, com Robert Scheidt e Bruno Prada, na classe Star; e no vôlei de praia, com Juliana e Larissa
 

Você sabia?

Com a edição de 2012, Londres se tornou a única cidade do planeta a receber as Olimpíadas três vezes. As outras foram em 1908 e 1948. Além disso, a disputa ficou marcada pela participação do sul-africano Oscar Pistorius, que entrou para a história como o primeiro biamputado a competir em uma Olimpíada. Ele avançou até as semifinais nos 400m.