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Atletismo paralímpico

18/11/2016 16h12

Atletismo Paralímpico

Shirlene Coelho se aposenta das pistas para concluir faculdade de Educação Física

Após o diploma da graduação, bicampeã paralímpica pretende seguir trabalhando com o paradesporto e sonha aumentar a família com a chegada de um filho

Bicampeã paralímpica na prova de lançamento de dardo da classe F37 (paralisados cerebrais), Shirlene Coelho realizou, na manhã desta quarta-feira (16.11), no Centro Integrado de Educação Física de Brasília (CIEF), o último treino antes da aposentadoria como atleta de alto rendimento.

O comunicado foi feito pela própria atleta após os Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio 2016 e ratificado durante a terceira etapa do Circuito Loterias Caixa de Atletismo, realizado no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, de 11 a 13 de novembro. Apesar de ter participado do evento apenas para “cumprir calendário”, a lançadora concluiu o ciclo conquistando mais uma primeira colocação em sua principal prova, o lançamento de dardo, com 31,18m.

Shirlene em três momentos: lançando o dardo para a conquista do ouro no Rio, no último treino em Brasília e com a bandeira brasileira, que ergueu em vários de seus títulos.Fotos: Danilo Borges/Brasil2016.gov.br
“Eu decidi que chegou a hora de parar porque preciso me dedicar à família. Quero ser mãe e vou terminar a faculdade de Educação Física. Tudo isso exige dedicação"
Shirlene Coelho

Para muitos, a decisão da aposentadoria pode parecer um tanto precoce, mas a goiana de personalidade forte está obstinada a trilhar outros caminhos e buscar novos desafios, tanto no âmbito profissional quanto na vida pessoal. “Eu decidi que chegou a hora de parar porque preciso me dedicar à família. Quero ser mãe e vou terminar a faculdade de Educação Física. Tudo isso exige dedicação. Muita gente me questiona sobre Tóquio 2020, mas a prioridade para o momento é outra”, explica Shirlene, que após a graduação ainda pretende continuar atuando no paradesporto. “Quem sabe como técnica?”, reflete.

O talento de Shirlene Coelho foi descoberto pelo educador físico Manoel Ramos, em 2005, quando a pupila estava, então, à procura de uma colocação profissional no mercado de trabalho. O início não foi fácil, já que a primeira modalidade praticada não a agradou. “Foi através da procura por emprego, quando fui entregar um currículo numa empresa que aceitava pessoas com deficiência. Logo que cheguei lá me convidaram para começar a praticar um esporte adaptado, na época o basquete em cadeira de rodas. Não me encontrei porque sentia dificuldade em quicar a bola e tocar a cadeira. Acabei ficando pouco tempo”.

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Shirlene com sua coleção de medalhas paralímpicas. Foto: Danilo Borges/Brasil2016.gov.br

Quase um ano mais tarde e após muita insistência de Manoel Ramos, Shirlene aceitou voltar para o esporte desde que fosse em outra modalidade. Assim começou a história de amor de Shirlene Coelho pelo atletismo. Primeiro foi o lançamento de disco, depois o lançamento de peso e na sequência o lançamento de dardo, modalidade que se tornaria a principal prova da atleta. “O que mais me admirou é que quando eu dei um disco na mão dela parecia que ela já treinava havia anos. Depois disso fomos apenas lapidando um talento nato”, conta Ramos. 

Também foi por meio do atletismo que ela alcançou suas maiores conquistas profissionais. Desde a primeira convocação para a seleção brasileira, em 2007, são dezenas de títulos, nacionais e internacionais, e quatro medalhas especiais: uma de prata no lançamento de dardo nos Jogos Paralímpicos de Pequim-2008, a primeira medalha de ouro no lançamento de dardo na Paralimpíada de Londres-2012, uma medalha de prata no lançamento de disco e uma de ouro do lançamento de dardo no Rio 2016.

"As portas nunca estarão fechadas para ela. Espero que possa voltar sempre para colocar em prática o que aprendeu e o que aprenderá na faculdade porque agora vem outro desafio, o de ser técnica"
Domingos Guimarães, técnico

Além das conquistas na pista, um episódio singular marcou a trajetória da lançadora no Rio 2016. Pela primeira vez na história das paralimpíadas uma mulher foi eleita porta-bandeira do Brasil na cerimônia de abertura. A votação foi feita pelos próprios atletas e Shirlene teve a honra de protagonizar um momento simbólico. “Tive o prazer imenso de ter sido eleita pelos meus colegas e aquele momento foi único e especial. O coração parecia que estava batendo na garganta na hora de entrar no estádio com aquela multidão vibrando. Foi inesquecível”, orgulha-se a porta-bandeira.

Shirlene considera que teve um ciclo perfeito e diz que pode encerrar a carreira tranquilamente para buscar a realização de seus outros sonhos. Para os planos futuros, ela pode contar, ainda, com o apoio de seu técnico, Domingos Guimarães. “Estamos juntos há quase dez anos e esse tempo todo representa um orgulho imenso. A Shirlene é muito responsável e fácil de conviver. As portas nunca estarão fechadas para ela. Espero que possa voltar sempre para colocar em prática o que aprendeu e o que aprenderá na faculdade porque agora vem outro desafio, o de ser técnica. E eu estarei aqui para dar todo o suporte que for preciso porque para ela não há barreiras”, finaliza o treinador.

 Valéria Barbarotto, brasil2016.gov.br