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Judô

28/12/2018 16h06

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Geraldo Bernardes: uma vida dedicada ao judô e ao olimpismo do Brasil

Premiado como treinador de estrelas da seleção brasileira, entre eles Rafaela Silva e Flávio Canto, sensei fala sobre sua carreira, o legado do Rio 2016, os Jogos de Tóquio 2020 e o trabalho no Instituto Reação
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Geraldo Bernardes no Prêmio Brasil Olímpico 2018. Foto: Abelardo Mendes Jr/ rededoesporte.gov.br
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Geraldo entre Popole Misenga e Yolande Mabika. Foto: Miriam Jeske/ rededoesporte.gov.br
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Aos 76 anos, o sensei Geraldo Bernardes já experimentou momentos excepcionais no esporte. Como técnico da seleção brasileira de judô, acompanhou de perto a história sendo escrita quando viu Aurélio Miguel conquistar o primeiro ouro olímpico da modalidade nos Jogos de Seul 1988. Depois disso, esteve ao lado de Rogério Sampaio no ouro em Barcelona 1992, guiou novamente Aurélio Miguel, juntamente com Henrique Guimarães, rumo ao bronze em Atlanta 1996, e, finalmente, fechou sua caminhada olímpica em Sydney 2000 com as pratas de Thiago Camilo e Carlos Honorato.

Encerrados as Olimpíadas na Austrália, uma mudança de rumo na política da Confederação Brasileira de Judô foi responsável por alterar o curso da vida de Geraldo Bernardes. Retirado dos trabalhos na seleção brasileira, ele se viu obrigado a se reinventar. Foi o início de uma nova estrada que culminaria, em 2003, na fundação do Instituto Reação, um projeto criado por Geraldo Bernardes, pelo judoca Flávio Canto, atleta formado por Geraldo, e amigos no Rio de Janeiro. O Reação atende atualmente a cerca de 1600 crianças, adolescentes e jovens a partir de 4 anos, beneficiados em seis polos de comunidades no Rio de Janeiro.

"Nós estamos vivendo uma época de ouro. Antes, nós não sabíamos quando iríamos viajar, se iríamos viajar, onde ficaríamos, e hoje o que o esporte brasileiro vivencia é uma coisa muito importante e dá uma condição excelente para que os atletas treinem"

Geraldo Bernardes,
técnico de judô

Um ano depois do nascimento do Instituto Reação, Geraldo Bernardes viu Flávio Canto chegar ao bronze nos Jogos de Atenas 2004 e, no ápice de suas emoções, acompanhou a carioca Rafaela Silva conquistar o ouro no Rio 2016.

"Ela veio de uma comunidade muito pobre e eu vi desde o primeiro momento que eu tinha um diamante bruto na minha mão e que esse diamante deveria ser lapidado. Falei para ela que um dia eu a colocaria na seleção brasileira e foi o que aconteceu. Rafaela foi campeã mundial (no Rio de Janeiro, em 2013) e depois se tornou a primeira atleta campeã mundial e campeã olímpica do judô brasileiro, na Rio 2016. Isso para mim foi uma emoção muito grande, além das emoções que eu já tinha tido antes com o Flávio Canto sendo medalhista de bronze em Atenas", prossegue o treinador."Eu saí da seleção em Sydney e, depois disso, fundei o Instituto Reação, juntamente com o Flávio Canto. Aos 8 anos, a Rafaela apareceu para fazer judô", recorda Geraldo, referindo-se à menina da Cidade de Deus que tinha uma garra incomum.

A vida dedicada ao judô e o trabalho vitorioso com os atletas brasileiros renderam a Geraldo, no dia 18 de dezembro, no Rio de Janeiro, uma homenagem no Prêmio Brasil Olímpico, promovido pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB).

Ele recebeu o Troféu COI Olimpismo em Ação, destinado a pessoas que tenham promovido a atividade física, a educação e o desenvolvimento por meio do esporte, a igualdade de gêneros, o esporte a serviço da humanidade e a ajuda aos refugiados por meio do esporte.

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Geraldo entre Popole Misenga e Yolande Mabika. Foto: Miriam Jeske/ rededoesporte.gov.br

Geraldo fez isso tudo, já que, além de treinar atletas do Brasil, tanto na confederação quanto em seu projeto social, ele foi o técnico, durante os Jogos Rio 2016, dos congoleses Yolande Mabika e Popole Misenga, que disputaram a competição no time olímpico de refugiados.

"A emoção (por receber o prêmio) é enorme, principalmente por ver tudo o que fizemos anos atrás, quando começamos a trabalhar na seleção brasileira e nas Olimpíadas", agradece o sensei. "É uma grande iniciativa que o professor Paulo Wanderley (presidente do COB) e o Comitê Olímpico do Brasil tiveram de homenagear as pessoas que trabalharam pelo olimpismo do Brasil", continua.

Legado

Para ele, a estrada pavimentada pelos Jogos Rio 2016 deixou um enorme legado para o esporte brasileiro. Geraldo fala com conhecimento de causa sobre um tempo em que ser atleta e treinador no Brasil era viver na incerteza.

"Nós estamos vivendo uma época de ouro. Antes, nós não sabíamos quando iríamos viajar, se iríamos viajar, onde ficaríamos, e hoje o que o esporte brasileiro vivencia é uma coisa muito importante e dá uma condição excelente para que os atletas treinem", diz.

"Eles não precisam se preocupar mais com o que vão comer amanhã, porque eles têm, através da Bolsa Pódio e de outros incentivos do Ministério do Esporte, essa condição de estarem amparados e pensarem só em como vai ser o treino. Isso tudo faz com que haja os resultados", prossegue.

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Foto: Miriam Jeske/ rededoesporte.gov.br

Por conta disso, Geraldo está confiante na campanha do Brasil para os Jogos de Tóquio 2020. "Eu acho que a Olimpíada deixou um grande legado, que são as instalações. Nós mesmos estamos no Parque Olímpico, treinando na Arena 2, onde a Rafaela foi campeã olímpica, e temos um dojô lá maravilhoso. O aproveitamento dessas instalações cedidas pelo Ministério do Esporte é super importante para que haja uma melhor condição de desenvolvimento para nossos atletas e acho que faremos uma bela Olimpíada em Tóquio".

Novos diamantes

Dizem que um raio jamais cai duas vezes no mesmo lugar. Essa é uma regra que Geraldo não confia. Assim, quando foi indagado se, depois de Rafaela Silva, ele já conseguiu identificar algum outro diamante bruto entre os atletas do Instituto Reação, o sensei diz que há várias pedras preciosas em seu projeto.

"Graças a Deus, nós temos vários talentos. Quando eu digo que a pessoa para ser técnico tem que ter sorte ao quadrado é porque ele tem que ser pé quente e ter o talento vindo na sua mão. Foi como aconteceu com a Rafaela", responde.

"Hoje em dia, no Instituto Reação, nós temos vários atletas nas categorias de base, no sub-13, sub-15, sub-18, sub-21 e sênior, integrando as diversas seleções brasileiras e participando de campeonatos. Inclusive a menina que ganhou o prêmio de melhor atleta dos Jogos Escolares é nossa aluna", ressalta, referindo-se a Taiane Lemos, 17 anos, premiada na mesma cerimônia em que Geraldo foi homenageado pelo COB.

"Eu sou grata por tê-lo como sensei ao meu lado, por tê-lo a cada treino ao meu lado me incentivando", agradece Taiane, que além de Geraldo, tem outra fonte de inspiração para seguir perseguindo sua grande meta de vida.

"Para mim é um prazer enorme ter o Flávio Canto e a Rafaela Silva treinando comigo. Isso me motiva muito mais a continuar buscando o sonho de chegar às Olimpíadas e ganhar uma medalha", encerra a judoca.

Luiz Roberto Magalhães - rededoesporte.gov.br