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Badminton

12/02/2019 14h29

Entrevista

Marco Vasconcelos: o português que redescobriu o badminton brasileiro

Técnico que chegou para ciclo dos Jogos Rio 2016 permaneceu no país e hoje trabalha pela renovação da modalidade de olho em Tóquio 2020 e Paris 2024

Os Jogos Olímpicos Rio 2016 são um marco na história do badminton de alto rendimento do Brasil. Ygor Coelho e Lohaynny Vicente foram os primeiros brasileiros a defenderem o Time Brasil em um evento olímpico. Durante o período de preparação, os atletas contaram com o auxílio do técnico português Marco Paulo Pereira Vasconcelos. Ele foi contratado em 2012 para lapidar a equipe. Em cerca de sete anos, o treinador presenciou a evolução e a consolidação da modalidade.

Quando chegou ao Brasil, Vasconcelos encontrou a Seleção com a média de idade de 27 anos. Para o ciclo de Tóquio 2020, o desafio foi focar na renovação. Atualmente, a média de jogadores baixou para 20 anos. "Estou convicto de que esse é o grupo ideal para trabalhar até os Jogos de Paris 2024, mas deixando em aberto para novos atletas que podem surgir no meio do caminho", analisou o técnico.

O técnico Marco Vasconcelos. Foto: Abelardo Mendes Jr./rededoesporte.gov.br
"A evolução da equipe tem sido boa. Desde 2012 que a gente vem colhendo resultados de excelência, mas ainda podemos melhorar muito os nossos atletas"
Marco Vasconcelos, técnico da seleção brasileira de badminton

Durante o período em que atuou no país, o treinador acompanhou a consolidação da modalidade. No plano da infraestrutura, o principal avanço foi a construção do Centro de Excelência de Badminton, dentro da Universidade Federal do Piauí (UFPI), em Teresina. Lá, o Governo Federal investiu R$ 4,9 milhões na instalação esportiva. São seis quadras nas dimensões oficiais, arquibancada para 500 pessoas, academia, departamento médico, alojamento, refeitório, cabines para imprensa e espaço administrativo.

A climatização, importante para receber eventos internacionais e para amenizar o calor numa capital como Teresina, foi viabilizada por um Termo de Execução Descentralizada (TED) entre o então Ministério do Esporte e a Universidade Federal do Piauí, no valor de R$ 1,125 milhão. A implementação completa do sistema de ar-condicionado está em fase de instalação, com previsão de conclusão em cinco meses. 

Na face esportiva, o treinador celebrou a primeira medalha olímpica do país no esporte, conquistada por Jaqueline Lima durante os Jogos da Juventude de Buenos Aires 2018. Viu, ainda, a seleção se mostrar hegemônica no continente nos Jogos Sul-Americanos de Cochabamba, na Bolívia, em 2018. Na ocasião, o Brasil teve representantes nas seis finais possíveis (uma delas, a individual masculina, disputada entre dois brasileiros) e voltou para casa com quatro ouros e três pratas.

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Por meio de Vasconcelos, o badminton brasileiro conta ainda com o auxílio de dois dos principais técnicos europeus: o sueco Asger Madsen e o dinamarquês Kenneth Larsen trocam informações com o treinador e mantêm o português informado sobre as principais práticas da modalidade no velho continente.

A meta do badminton brasileiro é classificar o maior número de atletas para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio 2020. Essa temporada será importante na busca pela vaga. Os Jogos Pan-Americanos de Lima, no Peru, entre 26 de julho e 11 de agosto, serão o principal desafio. Antes, os jogadores encaram dois torneios Pan-Americanos da modalidade: por equipe e individual. As competições servirão de preparação e para ter um termômetro dos adversários diretos do Pan em Lima.

A partir da próxima quinta-feira (14.02) e até o domingo (17.02), os brasileiros encaram o Pan por equipes, em Lima, nas mesmas instalações em que os Jogos Pan-Americanos serão disputados. O torneio terá disputas de duplas, feminina e masculina, além das duplas mistas. Já no mês de abril, será disputado o Pan individual, no México.

O rededoesporte.gov.br conversou com Marco Paulo Pereira no Centro de Excelência de Badminton, no Piauí, e ouviu dele sobre metas, o trabalho de renovação e a estrutura atual do badminton brasileiro.

O Centro de Excelência de Badminton, em Teresina (PI). Foto: Abelardo Mendes Jr./rededoesporte.gov.br

RenovaçãoPré-temporada 2019

Ficamos um período de um mês de treinamento no Centro de Excelência de Teresina. Tivemos as avaliações médicas e físicas na primeira semana. Depois, passamos para o trabalho dentro de quadra. A preparação está indo bem. Foram dias intensos, com seis horas diárias de treinamento dentro de quadra. Trabalhamos a parte física, técnica e tática. Já estamos preparados para os desafios da temporada. A evolução da equipe tem sido boa. Desde de 2012 a gente vem colhendo resultados de excelência. Mas ainda falta muito para melhorar os nossos atletas.

Seleção principal

O trabalho com a Seleção teve várias fases. Hoje, a equipe adulta conta com 12 atletas, três deles da equipe júnior. Começamos o no fim de 2012. O primeiro ciclo terminou em 2016. Depois do Rio de Janeiro, os atletas voltaram a treinar nos clubes. Agora, intensificamos o trabalho visando a Tóquio 2020. Espero que continue para o ciclo de 2024. Trabalhamos atualmente com uma equipe jovem. No ciclo passado (2012/2016), tínhamos uma média de idade de 27 anos. Atualmente, temos jogadores com média de 20. Assim, podemos trabalhar com dois ciclos a mais com esses atletas. Estou convicto de que esse é o grupo ideal. O meu objetivo é, sempre que possível, ter atletas juniores na equipe adulta, pensando na renovação. Esse é um diferencial em relação ao ciclo olímpico passado. Temos muitos talentos no Brasil. Se tivéssemos a capacidade financeira de acolher mais atletas, poderíamos ter 20 jogadores na equipe principal.

A jogadora Tamires dos Santos durante treinamento da seleção brasileira de badminton. Foto: Abelardo Mendes Jr./rededoesporte.gov.br
"As instalações em Teresina, no Piauí, são excelentes. É a melhor instalação que temos no Brasil para a prática do badminton"

Diferentes escolas

Os asiáticos estão no topo da modalidade. Porém, gosto muito do estilo europeu. Os asiáticos jogam na base da parte física e na força. Os europeus são mais técnicos. Sou assessorado por dois dos melhores técnicos mundiais da modalidade: Asger Madsen e Kenneth Larsen. Eles são bem relacionados no badminton mundial. Tenho uma grande confiança e respeito por eles. Esse contato é importante para o Brasil porque tenho acesso, por meio deles, a informações relevantes da evolução do badminton europeu.

Centro de Excelência

As instalações em Teresina são excelentes. É a melhor que temos no Brasil para a prática do badminton. O clima da cidade ajuda muito também os atletas, porque a maioria das competições importantes do Brasil ocorre em temperatura alta, na área do Caribe e das Américas. Esse espaço é muito importante. Já viajei por todo o Brasil e vi a carência de infraestrutura esportiva para a prática do badminton aqui no Nordeste e no Norte. Além disso, quase todas as estruturas são adaptações, com áreas abertas, com entrada de vento, o que prejudica muito a prática da modalidade. Aqui na universidade temos seis quadras à nossa disposição, além de alojamento, academia e tudo para melhor atender aos atletas.

O badminton brasileiro necessitava de uma estrutura para ser a casa da modalidade, para poder trabalhar na hora que a gente quiser, tanto em termos de quadras quanto de preparação física. Hoje é um prêmio para o badminton ter essa estrutura. É importante não só para a seleção, mas para a realização de campeonatos internacionais e para a promoção de clínicas para treinadores e para atletas.

O jogador Leonardo Zuffo: parabadminton será novidade uma novidade em Tóquio 2020. Foto: Abelardo Mendes Jr./rededoesporte.gov.br

Paralímpicos

A novidade no ciclo de Tóquio 2020 é a inclusão do parabadminton. A seleção paralímpica necessita de treino específico, por conta das limitações físicas de cada atleta. Entretanto, vamos a fazer um trabalho com um grupo só. Eles vieram para trabalhar com a seleção adulta para treinar comigo a parte técnica e tática. Temos três atletas que irão buscar vaga para Tóquio 2020. Estamos confiantes na participação deles nos Jogos.

Galeria de fotos (imagens disponíveis em alta resolução)

Treinamento da seleção brasileira de badminton em Teresina

Breno Barros, de Teresina (PI) - rededoesporte.gov.br