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Atletismo

05/08/2016 10h58

É hoje. Rio chega ao dia da abertura com uma série de investimentos consolidados na cidade

Aeroportos, sistema de mobilidade, infraestrutura esportiva e revitalização da região portuária retratam a transformação da cidade desde que ganhou o direito de sediar os Jogos, em 2009

Cinco de agosto de 2016 seria apenas mais uma data no calendário carioca não fosse um anúncio em 02 de outubro de 2009. Ao dizer “Rio de Janeiro”, com seu sotaque gringo, o então presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), o belga Jacques Rogge, traçou um futuro desafiador. Era preciso ser mais do que um belo destino turístico. 

Para preencher o vazio da ausência de Jogos Olímpicos na América do Sul, o Rio teria que se reinventar. O título de “cidade olímpica” trazia consigo algo a que os atletas estão acostumados: esforço, foco, superação de dificuldades. Quatro grandes região de competição foram definidas (Barra da Tijuca, Maracanã, Copacabana e Deodoro), mas o desafio foi lançado à toda a cidade.

Quase sete anos não se resumem em algumas linhas. Mas o que foi construído nesse período conta a própria história. Ao chegar ao Rio de Janeiro, um aeroporto internacional reformado aguarda os visitantes. O Galeão agora tem 58 pontes de embarque, o maior número entre os aeroportos da América do Sul. Pátio e balcões de check-in cresceram, uma nova alameda de serviços diversificou a oferta de opções de alimentação, facilidades e entretenimento. A capacidade do aeroporto passou de 17 milhões para 30 milhões de passageiros ao ano.

O Santos Dumont também passou por ampliação, mas talvez o que mais chame atenção não é o aeroporto em si, mas a forma de se deslocar a partir dele. Bem em frente ao terminal está a estação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). Trata-se de uma volta ao tempo dos bondinhos, mas com toda a tecnologia e acessibilidade que exigem o século XXI. A rede do VLT  tem, ao todo, 28 quilômetros e 31 paradas. A operação começou em maio e está sendo expandida progressivamente. Para quem quer conhecer os atrativos do Centro e Região Portuária do Rio, é uma opção.

Saguão do novo terminal do Aeroporto do Galeão. Foto: Roberto Castro/Brasil2016.gov.br

 

Transformação

E conhecer o Centro e Região Portuária não é um convite apenas aos que nunca estiveram na cidade. Um elevado de 5 mil metros veio abaixo e deu lugar a uma zona de 5 milhões de metros quadrados revitalizada, que a população volta a ocupar para lazer e cultura. Uma nova orla de mais de 3km, dois museus – de Arte do Rio e do Amanhã – e praças de cara nova são alguns exemplos materializados do chamado Porto Maravilha. Duas vias (Binário do Porto e Expressa) e quatro novos túneis organizam e facilitam o trânsito na região, candidata a epicentro dos Jogos Olímpicos: ali foi montado o Boulevard Olímpico, com três palcos para shows, telões, a pira olímpica e atrações variadas para o público que quer acompanhar as competições fora das arenas.

 

Mobilidade

Intervenções na mobilidade chegaram a outras partes da cidade. O sistema de BRT (bus rapid transit, na sigla em inglês), já implantado com a Transoeste (inaugurada em 2012, ligando Santa Cruz e Campo Grande ao Terminal Alvorada, na Barra, e que está ganhando a extensão até o Jardim Oceânico) e a TransCarioca (inaugurada em 2014, do Galeão até a Barra), ganhou também a Transolímpica. O nome não é à toa: a nova via liga as duas principais regiões de competição, Barra e Deodoro. A Transolímpica vai atender 70 mil passageiros por dia e reduzir o tempo de viagem em 60%. Com 25 km de extensão e 21 estações (incluindo terminais), o novo corredor terá ligação com a Transcarioca, em Curicica, e com a Transoeste, no Recreio dos Bandeirantes, além de ser integrada aos trens da SuperVia e futuramente à Transbrasil, em Deodoro.

Seis estações de trem (São Cristóvão, Engenho de Dentro, Deodoro, Vila Militar, Magalhães Bastos e Ricardo de Albuquerque) foram revitalizadas e se tornaram mais acessíveis. O sistema metroviário dobrou de extensão graças à construção da Linha 4. Em seis anos de obras, mais 16km foram acrescidos ao Metrô do Rio por meio da nova linha que liga Ipanema, na Zona Sul, à Barra da Tijuca. A linha 4 estará aberta ao público olímpico durante os Jogos e abrirá para toda a população em 19 de setembro.

Em seis anos de obras, mais 16km foram acrescidos ao Metrô do Rio por meio da nova linha que liga Ipanema, na Zona Sul, à Barra da Tijuca. A linha 4 estará aberta ao público olímpico durante os Jogos e abrirá para toda a população em 19 de setembro

Para quem realiza o trajeto Zona Sul-Barra por carro, minutos preciosos foram economizados com a duplicação do elevado do Joá. Importantes vias próximas ao Parque Olímpico foram requalificadas: a Av. Embaixador Abelardo Bueno, no trecho entre a Estrada Coronel Pedro Correia e a rótula da Av. Salvador Allende, e toda a extensão da Av. Salvador Allende. 

Meio ambiente

Um dos temas mais abordados ao longo dos últimos anos, quando o assunto era a cidade olímpica, foi a limpeza da Baía de Guanabara. Avançou-se de 17% para 50%, mas o objetivo era chegar a 80% de saneamento da Baía. Um desafio que permanece. O foco maior do trabalho tem sido na remoção do lixo flutuante, com o trabalho de 12 ecobarcos e a instalação de 17 ecobarreiras. Segundo o presidente do COI, Thomas Bach, a água da Baía de Guanabara na área de competição está em acordo com os níveis aceitáveis da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Na zona Oeste, foi feito o saneamento da Bacia do Rio Marangá, beneficiando 232 mil moradores de diversos bairros da região e atendendo o Complexo Esportivo de Deodoro. Foram realizados serviços de coleta e tratamento de esgoto em uma área de 20 milhões de metros quadrados.  Cinco reservatórios para controle de enchentes foram construídos para controle de enchentes na Praça da Bandeira, na Praça Niterói (três) e Praça Varnhagen, na região da Grande Tijuca.

 

O coração dos Jogos

Há competições por toda a cidade, mas o coração dos Jogos tem endereço certo: o Parque Olímpico  da Barra. Concentra 16 modalidades, novas arenas – provisórias e permanentes – e os principais estúdios de transmissão em uma área de 1,18 milhão de metros quadrados.

Uma parceria público-privada  da prefeitura com a concessionária Rio Mais permitiu a construção e manutenção (por 15 anos) da infraestrutura do Parque, das Arenas Cariocas 1, 2, e 3, do Centro Principal de Mídia (MPC), do Centro Internacional de Transmissão (IBC) e do Hotel de Mídia. Para o Estádio Aquático, o Centro de Tênis, o Velódromo e a Arena do Futuro, o governo federal aportou recursos e a prefeitura foi responsável pela execução. 

Das nove instalações que compõem o Parque Olímpico da Barra, sete serão mantidas pós-2016: as arenas cariocas 1, 2 e 3, o Parque Aquático Maria Lenk (que já existia e passou por reformas), a Arena Rio (também pré-existente e foi reformada), o Velódromo e o Centro de Tênis. A Arena do Futuro terá sua estrutura desmontada para a construção de quatro escolas públicas após os Jogos, e o Estádio Olímpico de Esportes Aquáticos dará origem a três piscinas públicas.

 

Outras regiões de competição

O Complexo Esportivo de Deodoro é a outra grande região de competição. Sede de 11 modalidades, recebeu os Jogos Pan-americanos de 2007 e os Jogos Mundiais Militares de 2011 e já tinha 60% das áreas de competição permanentes construídas. As intervenções de modernização foram coordenadas pela Prefeitura e realizadas com recursos do Governo Federal.  Houve reformas nos centros de tiro, Hipismo, Pentatlo e Hóquei sobre Grama, e as novas instalações são a Arena da Juventude, o Circuito de Canoagem Slalom, o percurso de Mountain Bike, o Estádio de Deodoro e a pista de BMX.

A  terceira região é chamada de Maracanã, mas engloba, além do Maracanãzinho, o Sambódromo e o Engenhão. Considerado por muitos o esporte símbolo dos Jogos, o Estádio Olímpico teve a pista de atletismo reformada, recebeu melhorias na iluminação, nas áreas das competições de campo, e intervenções para melhorar a acessibilidade. A capacidade do Engenhão foi ampliada para 60 mil lugares, com 15 mil temporários. As ruas do entorno do estádio foram requalificadas e a Praça do Trem, em frente a ele, é a mais nova área de lazer da região. Um Museu Olímpico foi construído em um galpão ao lado da praça, convidando a população a viajar pela história dos Jogos.

Na quarta região, nomeada de Copacabana,  a população poderá acompanhar, sem ingresso, diversas provas, como o triatlo, a maratona aquática e as disputas de remo e canoagem na Lagoa Rodrigo de Freitas. Na icônica praia de Copa, uma imensa arena provisória foi erguida para receber o vôlei de praia, um dos esportes em que a torcida brasileira pode mais fazer a diferença.

 

Segurança e Defesa

Quantos assuntos estão ligados aos Jogos Rio 2016? Saúde, Turismo, Cultura, Aviação, Energia, Comunicação...em um megaevento desta proporção, difícil encontrar uma área sem relação direta ou indireta com a realização dos Jogos. Mas a dimensão mundial dos Jogos Olímpicos, com representação de 206 países e uma inédita equipe de refugiados, faz a preocupação com Segurança e Defesa ganhar destaque, sobretudo diante do recrudescimento de ações terroristas.

Uma equipe de mais de 85 mil profissionais – das Forças Armadas e da Segurança Pública -, está a postos na cidade olímpica e nas outras cinco sedes do futebol (Brasília, Belo Horizonte, São Paulo, Salvador e Manaus)

A Inteligência do Mundo se uniu, a cooperação policial foi ampliada. Uma equipe de mais de 85 mil profissionais – entre Forças Armadas e de Segurança Pública -, está a postos na cidade olímpica e nas outras cinco sedes do futebol (Brasília, Belo Horizonte, São Paulo, Salvador e Manaus), contando com a experiência acumulada em um ciclo de grandes eventos que teve início com o Pan de 2007. Para eles, o trabalho no Rio 2016 é uma construção que vem de anos, assim como o sonho dos mais de 10 mil atletas que vão emocionar cariocas, brasileiros e cidadãos de todo o mundo.

Os 465 atletas da casa, que formam uma delegação recorde, viveram o ciclo olímpico de maior investimento da história do país. Equipes multidisciplinares, competições mundo afora, Bolsa Pódio, patrocínios de estatais, novos locais de treinamento e mais equipamentos por todo o país. Não se cria uma potência da noite para o dia, mas houve a parceria entre o governo federal e o Comitê Olímpico do Brasil para que os atletas se preparassem em outro patamar e chegassem da melhor forma possível ao Rio 2016, batalhando pela meta de ficar entre os dez primeiros no quadro geral de medalhas.

Tolerância, paz e espírito criativo

O futebol abriu as disputas na quarta-feira (03.08), mas o marco do início dos Jogos, o momento que costuma ser imortalizado na memória mundial, é a Cerimônia de Abertura. A partir das 20h desta sexta-feira (05.08),  bilhões de olhares estarão voltados para o Maracanã. A festa foi construída com orçamento reduzido, o que estimulou ainda mais a criatividade. A diversidade do povo e da cultura brasileira está na base do espetáculo, mas a mensagem terá apelo mundial: paz, tolerância, cuidado com o planeta. Conceitos que casam com a maior competição esportiva do mundo. Aqui a Olimpíada ganha um tempero carioca, uma boa dose de brasilidade e um amplo potencial de encantar os quatro cantos do planeta. Vai começar. 

brasil2016.gov.br