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Tenis de mesa

27/04/2019 10h46

Budapeste 2019

China mantém hegemonia e leva títulos de duplas masculinas e individual feminino

Liu Shiwen chega ao ouro individual que perseguia desde 2009 e parceria entre campeões olímpicos adulto e juvenil garante mais um troféu para os asiáticos

Mundial de Tênis de Mesa 2019

Há quem diga que o tênis de mesa é um esporte imprevisível, em que a única certeza é que, ao fim de um campeonato importante, o vencedor será um chinês. Embora tenha caráter informal e sem qualquer pretensão científica, a expressão tem sido uma realidade difícil de negar, em especial na versão feminina da modalidade.

Já contando a edição de 2019, são 13 Mundiais em sequência com chinesas no topo do pódio. Em Budapeste, na Hungria, a soberania foi absoluta. As quatro semifinalistas eram do país asiático. A decisão envolveu Liu Shiwen (5ª), de 28 anos, e Chen Meng (3ª), de 25, com vitória da mais experiente por 4 sets a 2 (9/11, 11/7, 11/7, 7/11, 11/0 e 11/9), em uma hora e seis minutos de partida.

Liu Shiwen no saque durante a final contra Chen Meng: uma longa espera na fila pelo título mundial. Foto: Abelardo Mendes Jr./ rededoesporte.gov.br
"É muito especial. Essa é a sexta vez que disputo um Mundial. A terceira final. Eu esperava por isso há um longo tempo, talvez tempo demais. Sabia que se não ganhasse hoje talvez não tivesse outra chance. Eu queria demais"
Liu Shiwen, campeã mundial individual

Shiwen vinha numa busca sem precedentes pelo título. Já havia batido na trave duas vezes, nas decisões de 2013 (batida por Li Xiaoxia) e 2015 (Ding Ning). Em 2009, 2011 e 2017, parou na semifinal e ficou com o bronze. Dessa vez, em 2019, fez uma campanha irrepreensível. Jogou oito partidas e venceu as oito. Somou 28 parciais a seu favor. Concedeu às adversárias, na soma de todas as partidas, apenas cinco. E teve mais: tanto na semifinal, contra a bicampeã mundial Ding Ning, quanto na decisão, diante de Chen Meng, fez 11/0 na quinta das seis parciais.

"É muito, muito especial. Essa é a sexta vez que disputo um Mundial. É a terceira final. Eu esperava por isso há um longo tempo, talvez tempo demais. Sabia que se não ganhasse hoje talvez não tivesse mais outra oportunidade. Eu queria demais. Ainda parece que estou sonhando. Algumas vezes pensei em desistir, mas persisti. E agora vou celebrar", desabafou Liu Shiwen, entre lágrimas, na arena montada no Hungexpo, em Budapeste. As medalhas de bronze da chave feminina ficaram com outras duas chinesas, Ding Ning e Wang Manyu.

Pódio 100% chinês no individual feminino: Liu Shiwen finalmente ergueu a taça. Foto: Abelardo Mendes Jr./ rededoesporte.gov.br

100% até agora nas duplas

Se no feminino o predomínio é absoluto, quando a disputa envolve o masculino não chega a ser tão diferente. O título de duplas mistas em 2019 já havia ficado com a China, com Xu Xin e Liu Shiwen, que superaram na final os japoneses Maharu Yoshimura e Kasumi Ishikawa, que defendiam o título conquistado em 2017. Completaram o pódio Patrick Franziska e Petrissa Solja, da Alemanha, e mais uma dupla chinesa, com Ding Ning e Fan Zhendong.

As duplas masculinas também ficaram com o país asiático: neste sábado, Ma Long e Wang Chuqin venceram na final a parceria internacional formada pelo espanhol Alvaro Robles e o romeno Ovidiu Ionescu, por 4 sets a 1 (11/3, 8/11, 11/7, 11/3 e 11/5). Ma Long é o atual bicampeão mundial e ouro nos Jogos Olímpicos Rio 2016. Wang Chuqin, de 18 anos, chega à competição com o predicado de ter vencido, em 2018, a chave individual e por equipes dos Jogos Olímpicos da Juventude, em Buenos Aires, na Argentina.

De inédito para o esporte, na disputa de duplas, foi a inclusão de dois novos países na geografia dos pódios em Mundiais. Robles levou à Espanha à medalha de prata e os portugueses João Monteiro e Tiago Apolónia, que pararam na semifinal, também levaram o país ibérico ao primeiro pódio de sua história no principal torneio da modalidade. O outro bronze na dupla masculina, só para não perder o costume, ficou com a China, com Liang Jingkun e Lin Gaoyuan.

Campeões olímpicos de duas gerações: Ma Long (D), na Rio 2016, e Wang Chuqin, nos Jogos da Juventude 2018: ouro em Budapeste. Foto: Abelardo Mendes Jr./ rededoesporte.gov.br

Algo de novo no reino do individual

Na chave individual masculina, Budapeste representou pelo menos uma pequena intervenção na geografia das finais. Pela primeira vez desde 2003, quando o austríaco Werner Schlager conquistou o título sobre o sul-coreano Joo Se Hyuk, a decisão não terá dois atletas chineses na disputa. Isso se deve em parte ao sorteio da chave, que posicionou quatro dos cinco atletas da China de um só lado, e em outra frente à performance do francês Simon Gauzy, que eliminou o número dois do mundo, Xu Xin, nas oitavas de final.

Ainda assim, dois dos quatro semifinalistas são chineses. Atual bicampeão mundial e ouro nos Jogos Olímpicos Rio 2016, Ma Long disputa uma vaga na decisão contra seu compatriota Liang Jingkun. O confronto será a partir das 12h (de Brasília). An Jaehyun, da Coreia do Sul, e Mattias Falck, da Suécia, definem do outro lado da chave a quem pertencerá o direito de quebrar esse jejum de atletas não chineses em decisões. "É muito bom para o esporte termos a chance de ver atletas não chineses entre os melhores", afirma o atleta brasileiro Hugo Calderano, número sete do ranking mundial.

Resultados

Dupla masculina
Campeões: Ma Long e Wang Chuqin (China)
Vice-campeões: Alvaro Robles (Espanha) e Ovidiu Ionescu (Romênia)
Terceiros lugares: Liang Jingkun e Lin Gaoyuan (China) e João Monteiro e Tiago Apolónia (Portugal)

Península Ibérica estreia no pódio em Mundiais: um espanhol em segundo e dois portugueses entre os terceiros. Foto: Abelardo Mendes Jr./ rededoesporte.gov.br

Individual feminino
Campeã: Liu Shiwen (China)
Vice-campeã: Chen Meng (China)
Terceiros lugares: Wang Manyu (China) e Ding Ning (China)

Duplas mistas
Campeões: Xu Xin e Liu Shiwen (China)
Vice-campeões: Maharu Yoshimura e Kasumi Ishikawa (Japão)
Terceiros lugares: Fan Zhendong e Ding Ning (China) e Patrick Franziska e Petrissa Solja (Alemanha)

AGENDA

Semifinais masculinas
Ma Long (China) x Liang Jingkun (China) - 12h (de Brasília)
An Jaehyun (Coreia do Sul) x Mattias Falck (Suécia) - 13h (de Brasília)

Semifinais de duplas femininas
Hina Hayata e Mima Ito (Japão) x Honoka Hashimoto e Hitomi Sato (Japão) - 14h (de Brasília)
Chen Meng e Zhu Yuling (China) x Sun Yingsha e Wang Manyu (China) - 15h (de Brasília)

Gustavo Cunha, de Budapeste, na Hungria - rededoesporte.gov.br