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03/12/2016 18h46

#ForçaChape

Chapecoenses se despedem de seus heróis

Torcedores, familiares e autoridades rendem homenagens a jogadores, dirigentes e jornalistas vítimas do acidente aéreo na Colômbia
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Homenagens às vítimas do acidente aéreo na Arena Condá, em Chapecó. Foto: Beto Barata/PR
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Aviões C-130 Hércules, da FAB, fizeram o traslado dos corpos da Colômbia até Chapecó. Foto: Beto Barata/PR
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Honras militares na chegada das urnas ao aeroporto de Chapecó. Foto: Beto Barata/PR
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Homenagens às vítimas do acidente aéreo na Arena Condá, em Chapecó. Foto: Beto Barata/PR
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Caminhões que fizeram o traslado dos corpos do aeroporto até a Arena Condá. Foto: Beto Barata/PR
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Presidente Michel Temer e ministro Leonardo Picciani no velório coletivo na Arena Condá, em Chapecó. Foto: Beto Barata/PR
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Família de Sirlei Veiga foi uma das que prestou homenagens em Chapecó às vítimas do acidente aéreo. Foto: Valéria Barbarotto/brasil2016.gov.br
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O sábado amanheceu cinzento e chuvoso, clima que provavelmente não levaria milhares de pessoas a saírem de suas casas. Mas não foi o que ocorreu neste 3 de dezembro, em Chapecó (SC). Desde as primeiras horas do dia, torcedores e dezenas de jornalistas aguardavam no aeroporto municipal da cidade catarinense os corpos de 50 vítimas do acidente aéreo que matou 71 pessoas, entre elas grande parte da delegação da Chapecoense, convidados do clube e profissionais de imprensa.

Muitos dos familiares compareceram ao aeroporto para acompanhar a chegada das urnas e foram recebidos pelo Presidente da República, Michel Temer, pelo ministro do Esporte, Leonardo Picciani, e outras autoridades em uma cerimônia exclusiva antes da aterrissagem dos dois aviões C-130 Hércules vindos de Medellín, na Colômbia. 

O primeiro avião da Força Aérea Brasileira pousou por volta das 9h30. A segunda aeronave, minutos depois. O trajeto de cada caixão do avião aos caminhões era feito por seis homens do exército brasileiro. No caminho, eles passavam por um tapete vermelho num corredor ladeado por militares. Os aplausos eram ouvidos em todo o tempo, ainda que sob lágrimas. Houve salva de tiros de canhões.

“É a revelação da solidariedade do povo brasileiro num momento tão triste como esse, em torno do drama que cercou Chapecó, Santa Catarina e o Brasil”
Michel Temer, presidente da República

Os caixões seguiram em cortejo em carretas abertas nas laterais até a Arena Condá. Durante todo o trajeto, a população da cidade rendia homenagens às vítimas em faixas, fotos, bandeiras, cânticos e silêncio reverente.

“É a revelação da solidariedade do povo brasileiro num momento tão triste como esse, em torno do drama que cercou Chapecó, Santa Catarina e o Brasil”, afirmou o presidente da República, Michel Temer. Ele reiterou os agradecimentos ao povo e ao governo colombiano pela solidariedade demonstrada e também pelo apoio e facilitação no traslado dos corpos. Temer também seguiu até a Arena Condá para o velório coletivo.

Por volta das 12h30, em meio a um ambiente tomado pela emoção, o cortejo chegou ao local do velório, onde milhares de torcedores e outros familiares já esperavam debaixo da forte chuva que insistia em cair. “A gente fica sem palavras. É uma cidade, uma nação que chora junto. A gente jamais imaginava que isso pudesse acontecer. Estamos muito tristes”, disse a torcedora Sirlei Veiga, que fez questão de ficar no estádio do início ao fim com a família como forma de agradecimento e respeito ao time do coração.

Família de Sirlei Veiga foi uma das que prestou homenagens em Chapecó às vítimas do acidente aéreo. Foto: Valéria Barbarotto/brasil2016.gov.br

Autoridades e personalidades estiveram presentes durante todo o velório coletivo e acompanharam, juntamente aos familiares, a programação de homenagens. “Não tenho palavras para descrever este momento. É um dos mais tristes da minha vida”, disse o coordenador técnico de futebol da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Edu Gaspar.

Várias personalidades do futebol participaram, como o presidente da Fifa, Gianni Infantino, os jogadores Seedorf e Puyol, o técnico da seleção brasileira, Tite, e o secretário-geral da CBF, Walter Feldman. Outros atletas que jogam em clubes nacionais e internacionais homenagearam a Chape em um vídeo que foi exibido ao público durante a cerimônia.

"Quero deixar aqui um abraço solidário de todo o mundo do futebol e dizer que a Fifa está do vosso lado, não só hoje mas sempre. Força Chape, somos todos brasileiros, somos todos chapecoenses", disse Infantino.

Vaticano

O Papa Francisco enviou uma mensagem que foi lida durante a cerimônia pelo bispo de Chapecó, dom Odelir Magri. "Consternado pela trágica notícia do acidente na Colômbia, o Papa pede que sejam transmitidas suas condolências e sua participação na dor de todos os enlutados. Ao mesmo tempo, pede ao céu conforto e restabelecimento para os sobreviventes e coragem e consolação para todos os atingidos pela tragédia", afirmou Magri.

Um dos momentos mais emocionantes ocorreu ao fim do funeral, quando, abraçadas, as famílias deram uma volta no campo levando fotos de seus entes falecidos para agradecer aos torcedores que se mantiveram presentes na arena desde a madrugada da última terça-feira, data do acidente na Colômbia.

Dos 50 corpos, 15 seguiriam em um avião da FAB para o aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, e de lá seriam distribuídos para outras cidades e outros estados onde seriam enterrados. Os demais serão sepultados em Chapecó ou na região sul do país.

Ao todo, 71 pessoas morreram no acidente, que ocorreu na madrugada da última terça-feira (29.11). Seis pessoas sobreviveram e estão em recuperação na Colômbia: três jogadores, um jornalista e dois tripulantes. O voo da empresa Lamia seguia de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, para Medellín, na Colômbia, e caiu momentos antes da aterrissagem.

A equipe da Chapecoense disputaria, na quarta-feira (30.11), a primeira partida da final da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional, de Medellín. No dia e na hora da partida, o estádio em Medellín recebeu uma multidão de colombianos, nas arquibancadas e nos arredores da arena. Eles renderam homenagens à equipe brasileira e entoaram cânticos de apoio. O Atlético Nacional solicitou à Conmebol que o título do torneio fosse entregue à Chapecoense. 

Valéria Barbarotto, brasil2016.gov.br, com informações da Agência Brasil e do Portal do Planalto