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Geral

09/02/2018 20h00

Jogos Olímpicos de Inverno

Cerimônia de abertura em PyeongChang acena para a paz com desfile da Coreia Unificada

A fronteira mais vigiada do mundo não tem vez no esporte: sul e norte-coreanos caminham lado a lado, de branco, sob a mesma bandeira no desfile que marca o início dos Jogos

Com acenos entusiasmados e aplausos abafados por luvas, as quase 35 mil pessoas presentes ao Estádio Olímpico de PyeongChang saudaram mais um momento histórico proporcionado pelo esporte. Na Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno, as delegações das Coreias do Sul e do Norte marcharam juntas. A jogadora de hóquei Chung Gum Hwang, nascida na metade norte da península coreana, e o atleta do bobsled sul-coreano Yunjong Won carregaram a bandeira da Coreia Unificada e marcaram o ponto alto das cerca de duas horas de duração do evento que deu início oficial aos Jogos.

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Entrada das Coreias, com uniforme branco e bandeira da península unificada: momento mais simbólico da Cerimônia de Abertura. Foto: Abelardo Mendes Jr./rededoesporte.gov.br
"Essa bandeira, com o desenho da península coreana, significa que os Jogos conseguiram unir as Coreias",
Hee-Beom Lee, presidente do Comitê Organizador

"Essa bandeira, com o desenho da península coreana, significa que os Jogos Olímpicos conseguiram unir as Coreias", afirmou Hee-Beom Lee, presidente do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Inverno PyeongChang 2018.

A intenção dos sul-coreanos foi oferecer esperança para a busca de uma paz global – mesmo ainda não tendo assinado um tratado para encerrar oficialmente o conflito com o único país que faz fronteira. Para isso, apostaram na história de seu povo, nas possibilidades da nova tecnologia e, até mesmo, na canção mais pacifista já escrita: Imagine, de John Lennon, interpretada por cantores de rock e pop locais, fez a plateia acender as lanternas que receberam ao chegarem no estádio. No decorrer da canção, duas pombas de luz se uniram em uma só.

O símbolo da paz projetado no meio do estádio olímpico de Pyeongchang. Foto: COI

"Unidos na nossa diversidade, somos mais fortes que todas as forças que querem nos dividir. Dois anos atrás no Rio de Janeiro, demos uma forte mensagem de esperança para o mundo ao contar pela primeira vez com um time de atletas refugiados. Agora, em PyeongChang, esse desfile em conjunto da Coreia do Sul e da Coreia do Norte é uma mensagem de paz", disse o presidente do Comitê Olímpico Internacional, Thomas Bach, em seu discurso.

"Unidos na nossa diversidade, somos mais fortes que todas as forças que querem nos dividir"
Thomas Bach, presidente do COI

A cerimônia foi marcada por danças de luzes e espetáculos de fogo, além da formação aérea dos aros olímpicos composta por 1.200 drones.  O desfile das delegações dos 93 países participantes teve início, como de praxe, com a Grécia - berço das Olimpíadas. Na ordem de letras do Hangeul, o alfabeto coreano de 40 caracteres, os nomes e bandeiras dos países surgiam no meio da plateia, em um imenso painel formado por milhares luzes de led.

Entrada da delegação brasileira no Estádio Olímpico. Foto: Abelardo Mendes Jr./rededoesporte.gov.br

Os atletas brasileiros foram a 33ª delegação a entrar, tendo à frente o piloto da equipe de bobsled Edson Bindilatti. Em sua oitava participação em Jogos de Inverno, o Brasil competirá em cinco modalidades: esqui alpino, esqui cross country, snowboard, bobsled e patinação artística. A primeira competição com participação brasileira na Coreia do Sul será em 15 de fevereiro, quando Jaqueline Mourão largará na prova de 10km estilo livre do esqui cross country.

A tocha olímpica já está acesa em #PyeongChang2018 pic.twitter.com/mOvjz8epj4

— Rede do Esporte (@RedeDoEsporteBr) February 9, 2018

Inusitado desafio ao frio

Todos os presentes ao estádio puderam esquentar mãos, pés e assentos com aquecedores e cobertores distribuídos pelos organizadores. No entanto, uma pessoa sem camisa roubou a cena do desfile. Pita Taufatofua, atleta de Tonga que já havia se destacado na abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016 ao entrar no Maracanã de dorso nu e besuntado de óleo, repetiu a façanha. Mesmo com a sensação térmica de 10 graus negativos, ele deu a volta no estádio carregando a bandeira de seu país vestindo apenas uma saia típica de seu país e calçando sandálias. O desafio ao frio foi para mostrar orgulho ao se tornar o primeiro atleta de Tonga a participar dos Jogos de Inverno e de Verão - no Rio, competiu no taekwondo, e em PyeongChang está inscrito no esqui cross-country, mesmo tendo começado a esquiar apenas em 2017.

Foto: Abelardo Mendes Jr./rededoesporte.gov.br

Tocha Olímpica

Após uma jornada de 101 dias e de ter passado nas mãos de 7.500 pessoas, a chama olímpica chegou ao estádio para reforçar a outra vitória diplomática que também marca a 23ª edição dos Jogos de Inverno. Jongah Park e Su Hyon Jong – duas jogadoras, uma de cada lado da fronteira mais protegida do mundo, integrantes da equipe unificada de hóquei feminino, subiram uma escada no meio de uma rampa de gelo e passaram conjuntamente a chama para a ex-patinadora Yuna Kim, primeira campeã olímpica da Coreia do Sul na patinação artística e celebridade local. Ela deslizou suavemente até acender a pira.

De PyeongChang (Coreia do Sul), Abelardo Mendes Jr - rededoesporte.gov.br